sábado, 4 de outubro de 2014

Poesia para criaturas, vampiros e afins... Noite das bruxas

E a noite se fez presente
Com um céu ornado de estrelas
O véu se rompeu mais uma vez
Acordando velhos sentimentos
A noite estava fria e vazia
Seu caminhar era ouvido em vários pontos
Passos errantes, olhos atentos
Sua boca entreaberta brilhava ao luar
Um corpo frio com mãos vazias
O coração já não batia
Sua pele pálida era um lembrete
A vida ali não existia
Mas a noite é sempre convidativa
Um despertar de velhos desejos
O olhar sangrento e o coração vazio,
Em busca de alimento
E o velho homem nem se lembrava
Sua identidade, o que fazia
Se foi feliz se foi amado
Se já amou algum dia
Seus passos vacilantes indicavam, que saciar era preciso
Mas a noite traiçoeira e convidativa, nada lhe deu ou lhe pediu
As horas passam, a fome aumenta, seu desespero era visível
O jovem e velho era belo, mas a vida ali não existia
Mas eis que surge em algum ponto
Um riso alegre e feminino
Ele se apressa a fome aumenta, virando a esquina uma menina
De olhos escuros, pele trigueira, as roupas curtas um sutil convite
O velho homem sorri ao ver, o seu banquete convidativo
A bela moça faz um aceno, o convidando para segui-la
Muito atento, os passos rápidos, o jovem velho sorri tranquilo
No beco escuro, e um pouco fétido
Lugar de encontro de viciados, a jovem para e olha o velho
Não se intimida com seu sorriso
Um passo dado para mais perto, um grito seco ecoa no vazio
Com uivos de dor e muita luta,
Um corpo cai sem esperança
Lábios são limpos com muito zelo, restos de carne estraçalhada
Um último olhar sem nenhuma pena
Um sorriso frouxo e muito escárnio
E a moça
De olhos escuros, pele trigueira
Segue andando tranquilamente
Ninguém sabe sua origem
Se é animal ou sobrenatural
Se é demônio ou um espírito.


Trazendo minha contribuição para o mês de outubro, em especial o halloween.
   

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Poesia



Inconstância

Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava.
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também... nem eu sei quando...

Florbela Espanca
(1894-1930)





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Blogagem coletiva - ROTAROOTS


Olá leitores, hoje coloco o último tema do Rotaroots, pelo menos para a sequência que programei. O tema foi projeto fotográfico, com fotografias que mostrasse um pouco de quem somos.
Vou colocar algumas fotos, parte minha que achei interessante dividir.

Minhas filhas


Eu gosto de cozinhar é minha terapia, bolos são algo que faço e recebo elogios. 


Diários, escrevo diários para desabafar esses são alguns dos meus, já me ferrei na adolescência por terem lido um diário mas isso é assunto para outra postagem ou não...


Ler é algo natural, faz parte da minha personalidade, coloquei esses livros por fazerem parte da minha história, li esses mesmos livros aos 15 anos, me apaixonei pela história de Pollyana, esses dois livros trouxeram alegria nos meus dias mais sombrios. 




Escrever é um vício, me planejar também, tenho listas e mais listas de tudo, mas tudo mesmo.


Gosto de estudar, não gosto de escolas também não sou muito de me socializar, pessoas me assustam sempre, mas a sede de aprender é tão grande que passo por cima disso e vou em frente. Vou finalizar com uma poesia do Fernando Pessoa, acho que ela representa bem quem sou, ou a incerteza de que sou quem eu penso ser...  o/ tchau


Quando olho para mim não me percebo.

(Fernando Pessoa)

Quando olho para mim não me percebo.

Tenho tanto a mania de sentir

Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca propriamente reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.





















  

domingo, 28 de setembro de 2014

Blogagem coletiva - ROTAROOTS - Ato 4



Seguindo com as postagens propostas pelo Rotaroots do mês de setembro hoje o assunto é Stop The Beauty Madness ou pare com a loucura da beleza. Quem quiser saber mais sobre o assunto é só pesquisar nesse link: http://www.stopthebeautymadness.com/ 


Rotaroots do mês de setembro
Quarto ato
Pare com a loucura da beleza

Cena 1
Carol hoje escreverá sua opinião sobre a campanha na internet e a loucura/ditadura da beleza, que tem ocorrido recentemente nas redes sociais.

Carol
Vou escrever neste texto o que eu penso em relação a cobrança imposta principalmente nas mulheres sobre a perfeição estética, as vezes com padrões irreais.

Bom primeiro eu não estou abraçando nenhuma causa, decidi escrever um texto sobre o assunto por ver o que ele faz com as mulheres, adolescentes e crianças.
Vou começar com um exemplo meu, quando eu era pré-adolescente eu assistia uma certa novelinha que passava após a sessão da tarde, inclusive continua passando só que com outro formato, era direcionada para o público jovem, os adolescentes da novela eram L I N D O S sem espinhas, com uma forma física bem padronizada com o que a moda dita, e também adultos, a maioria com a faixa etária entre 23 e 26 anos, fazendo o papel de adolescentes...  Muito irreal.
O pior é que nós, queríamos ter aquele corpo perfeito, lembrando que era um bando de pirralhos em formação, eu era considerada acima do peso, apesar de hoje em dia olhar para trás e ver o quanto meu corpo era normal, a maioria das meninas ou estavam "acima do peso" eu por exemplo, ou eram bemmmmmmmm magrinhas, me recordo de que na escola inteira no período da manhã em que eu estudava existir apenas 3 meninas consideradas obesas, duas delas minhas melhores amigas estavam com o peso muito além do que era o ideal para altura, por problemas na tireoide, sendo bem sincera as meninas eram adolescentes como outra qualquer, riam, choravam, eram cruéis as vezes, também eram amigas a maior parte do tempo, viviam a mesma fase terrível que todas as outras, mas eram alvos de críticas, risadinhas e as vezes comentários maldosos, vindo de outras adolescentes que cultuavam os atores mais velhos que por sua vez interpretavam adolescentes na novela. Percebem o ridículo da situação? O poder da mídia sob as pessoas? A venda de um padrão irreal? O sofrimento das pessoas tentando atingir esses padrões?

Foto com filtro e sem make

Eu fui  desafiada a colocar uma foto sem make e sem filtro sob a pena de presentear quem me escolheu com itens de maquiagem caso não aceitasse o desafio, fiz e não desafiei ninguém, as pessoas não entenderam o objetivo da campanha inclusive eu no começo por estar por fora do que rola na rede...
Li muitas críticas vinda de mulheres, algumas se recusando em postar uma foto assim, outras criticando as mulheres que aceitaram o desafio, como se realmente todas nós estivéssemos com a foto do nosso perfil 24 horas na cara...
Nem vou me dar ao trabalho de comentar sobre as críticas vindas dos homens, esses que foram ofensivos tenho sinceramente pena, pois provavelmente vão sofrer muito com a passagem do tempo e o envelhecimento seu e da mulher que escolheram como companheira.

Foto sem make e sem filtro

Não estou de formal alguma criticando quem gosta de make, acho lindo uma maquiagem bem feita, não uso por não ter muito jeito com isso, mas se precisar procuro alguém que saiba e peço para me maquiar.
Acho que o interessante é essa liberdade, sem pressões ou cobranças, de me maquiar quando eu quiser e não para ser aceita ou ganhar o "curti."

Foto sem make e sem filtro

Infelizmente eu vejo minha filha e também suas amigas passando pelo mesmo problema, as coisas até pioraram pois as informações chegam de forma rápida, o modismo também, e vemos a influencia ruim que toda essa doença conhecida como padrão de beleza atinge as crianças e adolescentes, e por mais que eu diga filha você é linda, seus cachinhos são incríveis, você não é gorda, ela não acredita e isso me preocupa, a pressão em cima dela e das suas amigas é muito grande, a única coisa que me resta é dar meu apoio e confiar na educação emocional que dei, esperando essa fase passar, e continuar repetindo para ela, suas amigas, você que me lê agora: Vocês são lindas do jeito que são, cada uma dentro de sua individualidade, herança genética ou raça.
Se amem, olhem no espelho e apreciem a perfeição dos seus traços, independente de não estar dentro de um padrão, independente de rugas, deficiências, manchas, espinhas ou qualquer outra coisa.
Mulheres vocês são lindas! Nós somos!
Com ou sem make ou filtro na foto...  

Foto sem make e sem filtro

E para quem se acha no direito de criticar, ofender ou até machucar alguém por estar fora dos padrões irreais, deixo o meu sorriso tranquilo, sem make, filtro, com manchinhas na pele, algumas espinhas mas muito, muito feliz por me amar e me aceitar como eu sou.



   


      









quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Foto e poesia


Boneca de pano
Boneca de pano dos olhos de conta,
vestido de chita,
cabelo de fita
cheinha de lã.
De dia, de noite, os olhos abertos,
olhando os bonecos que sabem marchar,
calungas de mola que sabem pular.
Boneca de pano que cai:
não se quebra, que custa um tostão.
Boneca de pano das meninas infelizes que
são guias de aleijados, que apanham pontas
de cigarro, que mendigam nas esquinas, coitadas!
Boneca de pano de rosto parado como essas meninas.
Boneca sujinha, cheinha de lã.
Os olhos de conta caíram. Ceguinha
rolou na sarjeta. O homem do lixo a levou,
coberta de lama, nuinha,
como quis Nosso Senhor.

Jorge de Lima
(1893-1953)


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Blogagem Coletiva - ROTAROOTS: Ato 3


Continuando com as postagens do Rotaroots, hoje escreverei os temas da blogagem coletiva que são:
1 - O quê é independência para mim?
2 - Das cartas que nunca te escrevi
Este mês eu fiz uma brincadeira escrevendo meus posts em forma de peça teatral, dividindo em 5 atos, hoje é o ato 3, quebrem a perna ou boa sorte ao elenco.


Rotaroots do mês de setembro
Terceiro ato
O quê é independência para mim?

Cena 1
As cortinas se abrem, a jovem heroína recebe duas missões que deverão ser feitas com maestria sob a ameaça de um inimigo muito recorrente chamado bloqueio criativo, se não fizer o que foi desafiado recairá sobre ela um mês de azar, com toda sorte de bloqueios criativos e posts ruins possíveis. Com caneta e papel nas mão Carol escreve alguns pensamentos. 

Carol
Escreverei o que acho da independência seja financeira, emocional ou pessoal.

Independência para mim é algo quase como libertação, e não se distância muito do significado encontrado no dicionário:
Independência s.f - Autonomia;liberdade. 
Essa palavra tão sonhada pela maioria dos mortais é conquistada dia-a-dia, se pago uma conta com meu dinheiro conquistado com o meu trabalho, se resolvo algum problema sem colocar nas mãos do outro a responsabilidade de resolução, se assumo responsabilidades e as cumpro, e por ai vai.

Sempre que escuto essa palavra o que me vem de imediato é o fator financeiro, pois se sou dona do meu nariz não dou muitas explicações e isso é o suprassumo da independência, não precisar dar justificativas, pois ao me justificar em demasia demonstro insegurança, e insegurança é uma forma de dependência emocional que é o contrário do tema que estou descrevendo. 
Ao fazermos uma análise grosseira vemos que uma situação puxa a outra:  Financeiro-emocional-liberdade
Três palavras que costumam reger a cartilha seguida pela maioria dos humanos.

De forma geral ao ter independência nessas três palavras posso me considerar quase completa, eu digo quase pois estamos sempre em busca de algo mais, isso é o que nos impulsiona a seguir em frente, mas quando busco independência tenho que arcar com as responsabilidades, ser dono do próprio nariz tem esse ônus, o de se tornar responsável por suas escolhas, seus passos e sua atitudes.
Mas chegando nesse ponto vemos que também é um tipo de escravidão ou lei do retorno a questão da independência/responsabilidade.
Pois a palavra independência sendo vista apenas como uma junção de vogais e consoantes traz liberdade, mas se for usada na prática acarreta a responsabilidade como consequência natural, sendo boa ou ruim.
Independência-responsabilidade-escravidão, algo ambíguo não acham? Escravo, palavra que não condiz com independente ou liberto...
Na realidade não somos libertos totalmente, independência total é ilusão pois de alguma forma dependemos de alguém ou alguma coisa.
Eu desfrutei alegremente da minha independência podendo tomar meus banhos demorados sem mãe ou marido para me atazanar em relação a demora, no final do mês tomei aquele susto ao pagar a conta de luz e água (responsabilidade pesando) me senti escrava dos impostos abusivos do nosso governo, pois mesmo economizando a conta viria salgada em relação a maioria dos países, ou seja:
 Independência-responsabilidade-escravidão a verdadeira cartilha que o humano segue.   


 Cena dois 
A continuação da missão é escrever uma carta, desafiando a criatividade da nossa heroína.

Carol
Vou escrever uma carta para eu mesma de dez anos atrás.

Querida Carol
Oi, como está?
Acho que feliz, não é verdade?
Bem minha querida aproveite bastante toda essa felicidade, pois posso dizer que enfrentará uma situação muito dolorosa no próximo ano, mas não se preocupe pois conseguirá se superar e se sair muito bem, aliás essa situação mudará sua vida para sempre, apesar do aparente sofrimento te fará crescer não posso te dar mais detalhes pois você iria enlouquecer, mas tenha fé que tudo irá se acertar.
Acho que se orgulhará de você no futuro, lógico cometerá alguns erros mas aprenderá com eles, outra coisa minha querida, magreza não é tudo, roupas e sapatos não trazem felicidade, mas garanto que descobrirá isso por si mesma quando estiver amadurecido, vai demorar mas vai acontecer eu lhe asseguro.
As coisas vão mudar um pouco mas seus verdadeiros amigos continuarão os mesmos da sua infância e adolescência, e outra coisa que não resisto e vou contar, você e sua mãe vão se acertar e se perdoar mas isso sei que você já sabe, você fará uma graduação por isso não se preocupe tanto com o fato de não ter se ingressado em uma faculdade ainda.
Ler se tornará modinha, e ser nerd também... 
A Isabela te dará muita alegria e orgulho, já o pai dela te surpreenderá muito, só não posso dizer se é de forma negativa ou positiva, mas não se preocupe e curta muito o seu casamento.
Ah minha querida, como sua vida estará diferente, escrevendo esta carta posso dizer que é praticamente outra mas você será muito feliz e realizada, e não vai se esconder tanto na sombra de outra pessoa, será realmente você mesma.
Bem gostaria de te contar tudo mas não posso, ou mudará o rumo das coisas e você precisa viver todas as experiências sendo elas boas ou ruins, pois elas te farão alguém mais tolerante e melhor.
Outra coisa guarde este nome Bruna, ele te trará muita felicidade.
Um abraço carinhoso e apertado.
Sua Carol
 De um futuro não tão distante.

Fecham-se as cortinas
Final do terceiro ato da peça

Então é isso, espero que tenham se divertido
Logo postarei o quarto ato
Tchau o/














quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A menina submersa: memórias - comentando o livro



O livro retrata a mente esquizofrênica e paranoica de India Morgan Phelps, ou Imp, uma jovem que tem nos livros seus grandes amigos em em sua carga genética um histórico esquizofrênico, sua mãe e avó tinham a mesma doença e ambas cometeram suicídio, mas Imp tenta escapar da "maldição da família" com tratamentos e remédios.
Imp decide escrever um livro de memórias, nesse livro ela relata o que teria sido seu encontro com um fantasma chamado Eva Canning, as vezes em forma de sereia outras transmutada em lobo...
No livro também é descrito o seu relacionamento com Abalin, sua namorada transexual operada, o que nos transporta para um universo ao estilo de Azul é a cor mais quente, Imp tenta com esse livro que escreve organizar suas ideias e escapar da esquizofrenia.

Spoiler e minha opinião
Quando li esse livro fui tomada por uma boa surpresa, as muitas referências literárias e musicais.
Algumas passagens do livro me lembrou Os mortos vivos (Ghost Story) de Peter Straub, que sem sombra de dúvidas é meu livro de horror favorito, apesar de ter uma capa que chama atenção para o público mais jovem é um livro para adultos, principalmente amantes da leitura ou escritores, a personagem Imp ganha vida de forma tão precisa e humana que em alguns capítulos temos a sensação de ler os manuscritos de algum escritor, misturado a diários pessoais, falhas de memórias, correções durante a leitura torna o livro bem interessante, imaginei-me mergulhando na mente de alguém que tem esquizofrenia, que em alguns momentos esquece seus remédios e mergulha na própria paranoia misturando realidade com loucura, Imp é muito inteligente, é um esquilo que no lugar de nozes coleciona memórias e trechos de livros.
O ponto negativo na minha opinião é a tradução com alguns erros como por exemplo troca de nomes, tornando confuso em alguns momentos a narrativa do livro, ocorreu poucas vezes mas acabou me incomodando. É uma história sútil de terror na minha opinião, não de horror como li na orelha do livro. O livro possui referências literárias, artísticas com alguns nomes de quadros e pintores, referências musicais, algumas lendas, e troca de cartas inventadas pela autora.
Gostei da leitura e recomendo para quem gosta do gênero terror e suspense.



Uma das inspirações musicais para o livro